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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

23.09.10

Não sabia mais nem quantas vezes havia ido até o portão e olhado lá fora esperando sua vinda.
Que estúpida estava sendo, sabia que ele não viria, não mais, e mesmo assim insistia em colocar na sua cabeça que ele apareceria e insistia em ficar ansiosa por isso.
Parecia ter esquecido – e talvez até tivesse – que no dia anterior eles haviam terminado. Não dava mais.
O amor de ambos estava se esvaindo, quase não existia mais, era isso que eles tinham esclarecido. Só um pequeno sentimento guardado por ela, que cultivava dentro do seu peito, sem deixar ninguém mexer.
Para ela, não havia amor nenhum ido embora. Pelo contrario, ele ainda estava ali.Tinha certeza disso porque, mesmo depois de tanto tempo, ainda sentia a mesma coisa, às vezes até mais. Mas para ele já havia sumido, talvez por ter tornado-se monótono demais, e como não podia amar sozinha, decidira dizer que sentia o mesmo que ele.
E mesmo assim, esperava que lá dentro dele, ainda existisse alguma coisa, e esperava que ele descobrisse logo e voltasse até lá, tomando-a em seus braços e dizendo que a amava como naqueles romances que lia. Ao pensar nisso, ela sorriu. Ah, estava sendo estúpida de novo, fantasiando coisas que nunca iriam acontecer. Deixou o sorriso morrer, e voltou à realidade. As coisas haviam acabado.Eles não voltariam.
Depois de já ter desistido e deixado de colocar coisas na cabeça, fantasiar e ficar ansiosa, ela pensou ter ouvido alguém tocar a campainha. Com os olhos vermelhos pelo choro e com os cabelos bagunçados, foi até lá atender. A menina pensou ser o seu melhor amigo, ele havia dito que passaria por lá para fazê-la companhia. Não era.

- Você não me ligou. Não me procurou. Iria deixar-me ir embora mesmo, minha menina?


Pamela.

domingo, 19 de setembro de 2010

5:30 a.m

Eu a via passar, sem pressa e de cabeça baixa, todas as manhãs. Saía no mesmo horário e ia. Não sei se para o trabalho, escola, ou lugar nenhum, mas eu a via passar. Com os fones no ouvido e aquele ar de quem não está nem aí, ela ia. Mas só eu a via. Ninguém a reparava, mesmo com todo aquele brilho ao redor, e ela seguia sozinha.
Um dia, um único dia, ela parou e, como se soubesse que eu estava todo dia ali para vê-la passar, olhou em minha direção. E sorriu. Depois desse dia ela desapareceu, o olhar e o sorriso foi sua despedida. Ela sabia que eu, e apenas eu, a via.

Pamela.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

07.09.10

- Volte aqui. - Disse-me em um tom baixo, porém ameaçador. Eu parei e como estava com raiva – raiva de não sei nem o que – revidei no mesmo tom ameaçador, agressivo, entre dentes.

- O que você quer? – Senti seus olhos em mim, procurando qualquer vestígio de um passo em falso, de sorriso. Não encontrou. Estava surpreso, mas relaxou.

E, como se nada houvesse acontecido, caminhou até a mim, passou uma mecha do meu cabelo para trás da orelha e sussurrou ao meu ouvido: - Pare com isso, criança. - fazendo-me estremecer. E então sorriu. Com aquele seu sorriso de lado, que me fazia derreter toda.

Tentei ficar firme, estreitei os olhos, mas nem eu lembrava o porquê de estar tentando e sorri.

- Idiota.

Toda aquela raiva de poucos segundos atrás havia desaparecido. Nós dois sabíamos disso.

Ele me enlaçou pela cintura e, beijando-me no pescoço, disse:
- Vamos para casa?!

Fechei os olhos, estava arrepiada. Eu queria mais. Ele. Mais. Nós.
- Vamos. – sussurrei.


Eu sou eu e você é você, a exceção é quando estamos fazendo amor que viramos um só.

Pamela.