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sábado, 7 de abril de 2012

7 de abril



Calos nos pés não são bons, eles incomodam e cada vez que o solado do sapato alcança um novo passo, machucam. Eu não tenho calo nos pés como você, menino, mas o que há em mim dói como tal, até mais.
Eu me perguntava toda noite antes de dormir: Se eu desejar que pare de doer, que me deixe respirar em paz, se eu desejar esquecer tudo que foi ruim, e que as poucas lembranças boas não signifiquem nada, se eu desejar muito, muito mesmo, serei atendida? Mas não vai existir alguém que apague minhas memórias, não basta fazer pedidos a estrelas cadentes e esperar que tudo se resolva. Eu já cresci, e o conto de fadas que tentei escrever um dia, chegou ao fim.
 Você traiu uma lembrança e alterou seu conto, mas talvez consiga um final feliz com a princesa que escondeu o coração dentro de um diamante. E eu percebi que ainda dói por que insisto em assuntos que machucam e abrem ainda mais minhas feridas, mas como o calo nos seus pés, vai parar de doer, vai cicatrizar. É questão de tempo, e só depende de mim. Estou erguendo minha cabeça, e construindo tijolo por tijolo um novo futuro. 

sábado, 17 de março de 2012

1:00 AM



             Sentir o meu corpo envolto nos seus braços, o nosso abraço apertado, os olhares que diziam mais que palavras e o toque mais simples, porém com um carinho que julgava eterno, já me bastava. Não havia em mim outra vontade, eu apenas te queria bem (e) perto, pois sabia que o nosso amor, assim como a sensação dos seus lábios nos meus, já não nos pertencia.
(...)
- Você tem que fazer o que tem vontade, não por ser a coisa certa, mas por que é o realmente deseja. – Meus olhos estavam fixos em um ponto qualquer no teto, e naquele quarto escuro, as palavras saíam forçadas, tremidas e sem vontade. Não era a primeira vez que eu entregava meu menino sem tentar lutar e isso doía, principalmente por saber que eu era a pessoa que ele confiava e, algumas vezes, seguia os conselhos.
                Mas o que me surpreendeu foi sentir a sua boca pressionando a minha, naquele mesmo instante, e não consegui correspondê-lo.  Eu permaneci praticamente imóvel e fria, e por ser hipócrita e não seguir os meus próprios conselhos, deixei que ele escorregasse para o outro lado da cama e o beijo não se concretizasse. E agimos como se nada houvesse acontecido.
                - Eram os meus lábios que ele ainda ansiava em algum segundo do dia? – Fiz com que esse pensamento voasse pra longe, assim como ele.  Pois eu o queria bem perto, mas sabia e sentia que nossos lábios, assim como o amor, já não pertenciam mais um ao outro.
                Era isso que fazia falta algumas noites.

17.02.13 - Pamela.

domingo, 4 de março de 2012

4 de março de 2012


Eu quero sentir novamente, algo que eu não consiga explicar. Que faça minhas pernas tremerem, meu coração saltitar e meu corpo sorrir. Que venha me invadir inteira e me deixe em brasas.
Mas se isso vier a acontecer, vai ser diferente da última vez. Talvez eu me entregue do mesmo jeito, ou mais, só pra sentir aquele gostinho de recomeço, porém não serei mais tão menina - nunca fui muito ingênua, mas eu acreditava demais em pessoas e palavras.
E eu quero que no beijo eu descubra e que nossos corpos se percebam, não querendo mais soltar naquele instante. Eu quero cometer loucuras, e mesmo se depois eu vier a me arrepender, quero apreciar tudo no mais extremo.
E chegará o dia em que não vai importar a forma, o prazer vai ser o maior de qualquer jeito e nós vamos sorrir e nos meus olhos vai brilhar a chama que há muito já se apagou.
Eu quero sentir tudo de novo, mas com uma nova pessoa. Por que não há mais sentimento tão arrematador por você, apenas um grande carinho. E nas minhas veias existe a necessidade de uma nova paixão, de um novo começo. E eu desejo sentir o que em um primeiro beijo me fez fugir, mas me trouxe de volta, me envolvendo em um mundo de deliciosas loucuras.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

13 de dezembro


My heart was talking to my head
Said, "I've loved once; I'll never love again"
And my head, at this, replied
"I'll miss (his) too; (he) was easy on the eyes"

Meu coração está fechado e ele não deixa que ninguém chegue perto.
Mas abro as cortinas da janela do meu quarto, me deparo com um céu cinza chumbo e inconscientemente desejo que caia uma chuva forte e a gente se encontre e sorria.
Podemos correr descalços e dançar no ritmo da chuva, do frio e de uma pontinha de calor que o coração permitiu, sem perceber, que entrasse.
E, quem sabe, a gente encontre um carrinho de algodão doce e aposte se azul tem sabor diferente do rosa. Talvez possamos fugir para casa e só existirá nós dois e uma grande xícara de café quente, e vamos fingir prestar atenção em um filme, que alugamos e esquecemos de devolver, por que o que queremos mesmo é nos aquecer debaixo do edredom.
Vai ficar tarde, mas a chuva ainda estará caindo lá fora, e talvez você me faça pipoca doce e eu te componha uma música. E haverá calorosas risadas enquanto conta as mais belas histórias dos Alpes.
Mas não, a chuva não caiu e meu coração continua fechado e ele não dá espaço para nenhuma brecha.

Pamela


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Um bilhete qualquer não enviado


Querida Aline,

Talvez você só esteja no meu pensamento, mas desde já, imploro que me desculpe. Não é algo que você mereça, preciso que tenha certeza disso, mas estou de mãos atadas. Não tenho outra opção viável, mas desejaria ter. Saiba que dentro de alguns anos estarei pronta para a sua volta, e a receberei de braços abertos e coração contente. Desculpe-me por não estar disponível nesse momento.
Raquel.





Feito por: Pamela